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INÉDITOS E DISPERSOS . poemas traduzidos
SONHO DO AQUECEDOR Eu me agacho ante o aquecedor em meu quarto de hotel / como um selvagem nu implorando pelo fogo eu só desejo um pouco de calor mas o diabo da máquina está fria como gelo e eu não poderei secar minhas meias as únicas meias que tenho e eu odeio meias molhadas eu poderia fazer uma fogueira e secá-las mas eu já posso ver a pobre velhinha do fim do corredor correndo para fora do quarto abraçada a seu gato gritando Fogo Fogo e aí tem aquele gentil senhor francês dois andares abaixo que ela positivamente adora eu posso vê-la esmurrando a porta dele berrando Monsyour Fo guê Fô guê (ou alguma coisa que se aproxima do francês) e então o francês abre a porta PENSANDO CONSIGO MESMO o que ela está querendo agora? fogo? ele pergunta e então quando os olhos dela encontram os dele buscando a segurança que só um homem pode dar ele desmunheca Oh meu Deus Fogo? ele geme O que vamos fazer? e há aqueles dois pirados do fundo do corredor que, até ao som de uma gota caindo, pulam eu posso vê-los tremelicando para fora do quarto como dois epilépticos em crise gritando O que está acontecendo? O que está acontecendo? O que está acontecendo? e tem todos os outros piradões deste hotel Eu decido não fazer a fogueira afinal no mesmo instante em que o aquecedor começa a gorgolejar e eu sinto o prazer que um selvagem nu sentiria se o seu ídolo tivesse falado com ele mas meu prazer acaba em um guincho fino escorregando pelas insondáveis regiões polares do encanamento e eu digo para o inferno com essa máquina e vou gelado para a cama como um selvagem nu que ainda não descobriu a arte do fogo. |